terça-feira, 23 de outubro de 2012

Vivência 2012 - C.M. Valmir (Campinas)

De volta para casa! Mestre Jogo de Dentro retorna para Campinas e ministrará oficinas junto a comunidade do Semente de Angola na região de Campinas/SP. 

Aqui, temos o convite feito pelo Contra Mestre Valmir do núcleo do Parque dos Eucaliptos.

13 e 15 de Novembro de 2012
Info: (19) 91220687  (19)33683224
Local: Condomínio Parque dos Eucaliptos
Rua Albatroz, 65 Vila Padre Manoel  da Nóbrega/Campinas/SP

Venha conferir!



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Lembranças do Rio de Janeiro - 1835



Tudo aquilo que se refere à capoeira anteriormente aos grandes ícones Pastinha e Bimba está envolto de mistério. No século XIX, cidades como Rio de Janeiro e Salvador estavam repletos de escravos vindo de África e seus afrodescendentes, e o que parece, não passavam despercebidas do olhar de muitos artistas e naturalistas estrangeiros que aqui aportaram depois da chegada de D. João e a família real em 1808. Como nova sede do Império Português, alguns anos depois desse episódio, toda uma estrutura foi montada para acolher a realeza europeia em terras tropicais  Pelas mãos de D. João, foi criado o Jardim Botânico, o Banco do Brasil, por exemplo. Num outro contexto, no processo de independência e na consolidação do estado-nação brasileiro outras iniciativas foram tomadas pelo seu filho e pelo seu neto (D. Pedro I e D. Pedro II). Aqui, focaremos na fundação da litografia do Imperador.


Neste post apresentamos um desenho de Victo Barrat do Largo do Paço, uma das 12 litogravuras publicadas em 1835 no álbum Sollvellirs de Rio de Janeiro (Lembranças do Rio de Janeiro) por Johann Jacob Steinmann, a partir de desenhos de Kretschmar, de Victo Barrat e dos registros do próprio Steinmann. Infelizmente sobre o autor do desenho que vamos explorar não encontramos nada, por isso vamos comentar sobre o organizador do álbum.


Johann Jacob Steinmann (Basel, Suíça, 17 de setembro de 1800 – Basel, 20 de junho de 1844) foi contratado para atuar no Brasil, e veio para o Rio de Janeiro em 1824, como litógrafo do Imperador D. Pedro I, subordinado ao Arquivo e Academia Militar. Trabalhou durante cinco anos litografando mapas e outros impressos para o Arquivo Militar, impressora cartográfica oficial do Primeiro Império e, em 1830, estabeleceu oficina própria de cujas prensas se conhecem alguns mapas e folhas volantes de costumes e tipos populares do Rio de Janeiro.




O que nos interessa é o desenho de Victor Barrat, ou melhor, um pequeno detalhe nele, que é um indicia da prática da capoeira no início do século XIX. O que se representa no desenho é a área do Paço Imperial, prédio construído entre 1733 e 1743 e que foi residência do governador e Vice-rei durante o século XVIII e de D. João e seus descendentes (D. Pedro I e D. Pedro II) após o episódio de 1808.

Essa área reunia grande quantidade de pessoas se configurando como o centro político de todo o século XIX (Capital do Império). Passavam por ali barqueiros (a grande maioria de escravos) que transportavam pessoas e mercadorias; transporte regular de carruagens para a elite da época; o comércio de escravos também era realizado nas proximidades, na região conhecida como “Valongo”; estava presente ainda um grande contingente militar. Outro local dos arredores com grande concentração de pessoas (em sua grande maioria escravos) era o chafariz (da Junta de Comércio e do Mestre Valentim). Ali ocorriam atividades de comércio e encontro sociais. Do desenho percebe-se a presença de ambulantes e de escravos na atividade de buscar água. Além, é claro, de capoeiras como mostra o detalhe.




domingo, 14 de outubro de 2012

Semeando 2013-14

Lindo cartaz que anuncia o evento VII  Encontro Internacional de Capoeira Angola: Semeando 2013-14 promovido pelo Mestre Jogo de Dentro.



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Danças do Brasil (1958) - Felícitas Barreto


Nesta postagem vamos explorar o olhar de uma dançarina sobre a Capoeira,  ou melhor,  sobre o que se dizia da Capoeira na década de 1950. Prática na qual, segunda ela, teria uma coreografia e seus movimentos são tidos como “passos”.

A Autora.

Felícitas Barreto, alemã natural de Colônia, nasceu em 1910, veio para Brasil ainda muito jovem depois do termino da Segunda Guerra Mundial, quando pai havia perdido o emprego de engenheiro industrial. A família se instalou em Niterói. Dedicou grande parte de sua a vida à dança: começou na Escola de Bailados com Maria Olenewa e Ricardo Nemanoff. Apresentou-se no Teatro Municipal, na temporada de 1943. Em 1946, cria seu Ballet Folclórico Nacional, apresentando-se no Teatro João Caetano as coreografias: Tabu, Raio de Lua, Macumba, Casamento de Zumbi, Feitiço e Yamanjá. Sendo que a última, chocou o público e teve problemas com a censura, pois dançou rodeada por negros, nua da cintura para cima. Felícitas ainda trabalho em filmes e peças de teatro. Em 1958 lança a obra Danças do Brasil.




A Obra.

Pelas mãos de Felicitas Barreto foi lançado em 1958 à primeira edição de Danças do Brasil. Parafraseando a autora, “o livro é o resumo da fabulosa riqueza coreográfica que possui o Brasil”, nele foram catalogadas inúmeras manifestações de danças, exigindo grande esforço de pesquisa, tendo que viver na floresta entre índios e viver mais próxima do povo que conheceu nas suas viagens pelo interior do Brasil. Sendo assim, na primeira parte da obra encontramos somente danças indígenas e na segunda, folclore de todo o Brasil. È ai que encontramos um tópico que nos interessa: Capoeira.
Nesta parte, a autora a capoeira foi introduzida no Brasil, no século XVI, por negros Angola e Bantus. Uma luta que usaria pouco as mãos e muito as pernas e a cabeça, o que na obra se entende como algo de grande vantagem diante dos colonizadores europeus, desacostumados nessa forma de combate. E isso, explicaria, de certa forma. as proibições da prática durante o tempo. Bem, seriam, então, os negros astutos e encontram uma solução: “disfarçaram a capoeira como antes haviam disfarçado a sua religião, colocando nas lutas de capoeiras pantomimas, mímicas e danças acompanhadas de músicas.”.Ficando assim a sua definição de Capoeira:

“ A capoeira é um combate esportivo numa dança.”

Trata assim, a capoeira como dança e, desta forma, menciona os trajes usados, os instrumentos de música, a coreografia e seus passos. Acredito que o mais interessante nesta última parte, se refere a coreografia, pois nos dá uma visão mais plástica: O “preceiro” guando os capoeiras ficam de cócoras diante do berimbau para fazerem suas rezas e pedidos de proteção contra facas e golpes; os toque do berimbau e a forma de “dançar” diante dos diferentes ritmos (São Bento grande luta ligeira, baguela jogo lento com uso de peixeira, ...); e por fim, os passos (movimentos) como raspa, rasteira, tesoura entre outros. 

Vale a pena conhecer:











sábado, 6 de outubro de 2012

Revista Realidade (1967) "É luta, é dança, é Capoeira"

Em 1967 a Revista Realidade (Ano I, número 11, Fevereiro de 1967) explorou a temática da Capoeira para seus leitores, uma linda reportagem escrita por Roberto Freire e fotos de Davi Drew Zingg. Esse conteúdo já foi explorado por nosso blog na postagem: Vicente Joaquim Ferreira Pastinha - Mestre Pastinha. (I). Agora disponibilizamos o conteúdo na integra, pois o consideramos um importante documento sobre a capoeira. 

Vale a pena ler e reler.









domingo, 30 de setembro de 2012

DOCUMENTÁRIO - ARTES DA CAPOEIRA

Eu sou fruta madura
que cai do pé lentamente
na queda larga a semente
procura uma terra fresca
para ser fruta novamente.

                                                                                 Mestre João Grande.

Uma coisa leva a outra e essa outra a outras. Bem, foi assim com minhas pesquisas sobre o trabalho de Frede Abreu, elas me levaram a conhecer um documentário produzido por ele: Artes da Capoeira. 
Aqui o material foi dividido em três partes, cada uma voltada a um questionamento diferente, mas todas ligadas ao universo da capoeira: a primeira, podemos relaciona-la a musicalidade e aos instrumentos da capoeira; a segunda sobre seus movimento, sua forma de "dançar"; e por último, a religiosidade e o ritual da capoeira. 
O documentário conta com a contribuição de Mestre Curio, Mestre Nelito, Mestre Cobrinha Mansa, Mestre Nenel, Mestre Gigante, Mestre Tonho Mateira, Mestre Moraes, Mestre Olavo, Mestre Timbo e Mestre João Grande.





domingo, 23 de setembro de 2012

Cidades: PIRACICABA tem Capoeira Angola!

Iniciamos uma série de postagens que divulgarão cidades no Brasil e do Mundo onde se prática a Capoeira Angola.

Tem Capoeira Angola de qualidade na cidade de Piracicaba, interior do estado de São Paulo, Brasil. Lugar onde se estabeleceu a sede da Escola de Capoeira Angola Raiz de Angola, de Mestre Zequinha.

L

Piracicaba foi fundada em 1767 às margens do Rio Piracicaba, mas somente no século XIX que o município começou a se destacar com cultivo da cana-de-açúcar e do café. Essa produção agrícola, contudo, ainda no início do  século XX entrou em decadência. Como saída a cidade se voltou para a industrialização, muito ligada ao agronegócio, ao setor metal-mecânico e de equipamentos destinados à produção de açúcar. Isso a coloca hoje entre as cidades mais importantes economicamente no país.

Além da importância econômica, a cidade de Piracicaba é também um importante centro cultural de sua região. Muitos de seus bairros (Santa Olímpia e Santana, o Horto Florestal de Tupi e o Balneário de Ártemis) são áreas de preservação ambiental, outros localizados na região central às margens do rio Piracicaba são parques de visitação turistica. Tradicionalmente a história da cidade é contada pela vinda de bandeirantes no século XVIII, pelos grandes empreendimentos agrícolas do século XIX e pelo seu pioneirismo da industrialização no século XX. No entanto, ela reserva outras inúmeras facetas. 
Parque do Mirante.
Rua do Porto.
Vista do Engenho Central e Saldo
ESALQ - Escola de Agronomia Luiz de Queiroz
Relevante a Capoeira, lembremos da Sociedade Treze de Maio (fundada em 1901 com o nome de Sociedade Beneficente Antonio Bento e que trocou de nome em 1908) fundada por negros que pretendiam comemorar a libertação dos escravos. Hoje é um importante espaço de reverencia as tradições afro-descendentes. Esse espaço é muito conhecido por Mestre Zequinha, homem de grande envolvimento com ações pela liberdade e pelo cultivo das tradições afro-descentes.

Visite a cidade, e lembre-se de conhecer a roda de Mestre Zequinha sempre às sextas-feiras (19:00 hs).







terça-feira, 18 de setembro de 2012

O Barracão do Waldemar - Frede Abreu



A partir de uma proposta de seminário, ou melhor, de uma proposta para os encontros periódicos com que o grupo Semente do Jogo de Angola núcleo Barão Geraldo realiza seus estudos sobre a capoeira angola, o livro “O Barracão do mestre Waldemar” me foi apresentado. Infelizmente não pude na ocasião comparecer ao seminário, no entanto, a vontade de conhecer essa obra de Frede Abreu foi grande e empreendi a leitura. Como a reprodução e a transmissão não são permitidas, farei somente alguns comentários recomendando como compra obrigatória para qualquer capoeirista.

O livro conta, a sua maneira, uma série de aspectos sobre capoeira angola cujo elo entre eles é a vida de Mestre Waldemar. Mestre de um tempo em que o ensinar capoeira acontecia de outra maneira, e não a nossa, pegando na mão do aprendiz e o colocando para jogar com os mais velhos para aprender a se virar desde cedo; de um tempo em que os espaços para a prática da capoeira eram outros, acontecendo em bares, vendas e feiras muitas vezes em troca de uma água ardente; do tempo em que capoeiristas disputavam dinheiro no: pega a laranja no chão.

 
Como contribuição maior, o livro retira da sombra um grande Mestre da Bahia tornando o conhecimento sobre a capoeira angola mais complexa e para além dos limites Bimba/Pastinha. 

O livro contribui para uma inteligibilidade mais complexa e rica da capoeira. É o tipo de leitura que enriquece sem cansar, é para se ler numa tarde, tanto pela sua facilidade, quanto pelo prazer que proporciona.

Abaixo segue uma pequena reprodução da apresentação da obra como uma degustação, como uma comprovação do deleite da leitura desse material. depois de ler essas linha acredito que muitos irão a procura de adquirir o livro“O Barracão do Mestre Waldemar” , de Frede Abreu. Nela Frede conta como foi lubridiado pelo Mestre Waldemar


- * -


FREDE ABREU: Baiano, pesquisador não acadêmico sobre a capoeira. Desenvolve pesquisas regulares desde 1976.


domingo, 16 de setembro de 2012

9000 Visitas.

Obrigado aos colegas e amigos por prestigiarem a vivência deste blog: Veneno da Noite - Blog de Capoeira Angola. 

Aguardamos comentários de todos.


As novidades foram as visitas feitas da Republica Dominicana e de Moçambique.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...